Exposição LUSA
Uma coisa não se pode reclamar com relação ao Rio. Não existe este papo de não haver opção cultural e ainda por cima de graça. Fui a exposição LUSA. Artefatos, e artes que contam a história de Portugal por vestígios encontrados em toda sua extensão de séculos atrás, não sei precisar qual a peça mais antiga da exposição, mas tem peças do século I. Mostra a presença de todas as culturas que deixaram sua contribuição, por que não dizer, para nós. É incrível perceber que desde a sua formação, a península Ibérica teve uma gama imensa de outras culturas na sua formação. E, se, pararmos para pensar, somos miscigenados desde nossa origem já miscigenada. Isso é incrível. Como ainda podemos dizer que não somos um povo extremamente misturado? É tudo besteira. Não tem como negar. A história, as peças, os fatos e os artefatos estão aí pra não me deixar mentir.
Só uma coisa me deixou frustrada nesta exposição. De repente, pode ser uma característica geral destas exposições maiores. A falta de conexão da própria exposição com quem vai ali vê-la. De que forma? As explicações dadas tanto pelo monitor que, fazia a visita guiada, como pelas próprias explicações das peças em placas colocadas para darem explicação. Traziam ou, uma informação meramente técnica, ou simplesmente vazia, na maioria das vezes. Não havia uma conexão que puxasse, atraísse o visitante. Bom, pelo menos acho que deveria ser assim. Explicações técnicas são necessárias, lógico! Acho incrível uma frase, acho que é do Marc Bloch, que diz que o historiador tem ir atrás da história, dos fatos, farejando, assim como o ogro fareja o cheiro do sangue da carne. E assim tem que ser a história. E assim tem que ser quem trabalha com a história, trazer este prazer em “farejar”. Parece nojento, meio selvagem, mas o que quero dizer é que quem trabalha com a história tem quefazer com que haja a interação do público com a obra. “- Um copo de forma cilíndrica de base opaca...” Isso tudo, mas, mais: “- Este copo foi encontrado próximo a uma área onde eram feitos sacrifícios em nome de um deus...” Nem tudo tem explicação. Mas pode e tem que ter uma intertextualidade. Se não, o que me trás saber que na Alta Idade Média a religiosidade era algo imperante e determinante na estrutura e na formação das culturas que se seguiram a sua época. “Ué? O que é Idade Média?” Perguntou uma criança no colo da mãe. Ora, a mãe não sabia. E eu também não saberia se não fosse pela minha formação em história. O que me faz lembrar uma frase de um conhecido: “olhando tudo isso, pareço um burro olhando pra um palácio.” Sem conexão, não há aprendizado.
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