Escombro
E a estrutra estava no chão.
Ela olhou, olhou e olhou. Parecia não acreditar que aquela estrutura que parecia tão sólida, pelo menos parecia apesar de toda infiltração e pintura por fazer, estava no chão.
A princípio, ficou imóvel. Estática. Estatalada. Depois veio o não saber, a dor no coração, a incerteza, a descrença e principalmente a dúvida: e agora, o que fazer?
Decidiu, ou melhor, foi “decidida”, que deveria encarar os fatos: a estrutura estava no chão. Não havia o que fazer. Poderia sentar, chorar, se desesperar, (embora tenha feito tudo isso e mais um pouco), mas não havia muito mais coisa a fazer. “E agora?” O que vai ser? O que vai acontecer? Parecia tudo tão sem futuro, mas sabia que a estrutura também não se poria mais de pé. Não aquela. “Bom se não vai pra frente e não tem pra trás, então só tem um jeito pra você, sentar e esperar o fim”. Parecia que uma voz repetia a todo instante em sua cabeça, como se até ela estive a zombar.
Bom, parar, não podia. Seguir, estava meio sem jeito. Então o que fazer. Ah! Minha amiga. O pior é que nada. Nada pode ser feito nestas horas em que literalmente a casa cai.
O dia-a-dia foi passando. Mas os escombros ainda estavam ali. Tentou arrumar um bom pedreiro pra ver se conseguia pelo menos afastar os escombros e continuar passando por ali. Mas qual nada. Nada de pedreiro, carpinteiro, um obreiro qualquer. Parecia que até isto também lhe estava atravancado, junto com os escombros. Mas percebeu, aos poucos, que o teria que fazer.
O tempo foi passando. E justamente por causa dele, e pela decisão de não esperar sentada olhando pros escombros, foi que decidiu, e percebeu, que poderia, e deveria, mesmo que sozinha, ir tirando. Mesmo que fosse pedra por pedra, os escombros dali do seu quintal. As imagens da estrutura desabando ainda eram difíceis de serem apagadas de sua memória, e ainda o são.
Pior, do que os escombros ali sempre a olhando , foi quando se deu conta que com a sua saída, outro problema surgiu. O vazio deixado justamente por eles. E como era vazio. Parecia um infinito. O que fazer com aquele vazio? E novamente, nada fez. Agora já não tão surpreendida com estruturas “despencantes”, resolveu dar uma chance ao tempo. Que antes parecia estar, tão distante e ao mesmo tempo tão perto, e novamente o deixou agir. E está gindo até hoje. As vezes, de forma tão intensa que parece varrer a maior pedra deixada pelos já falecidos escombros. E as vezes, de forma tão ínfima, que nem muita água e vassoura , conseguiam empurrar uma simples pedrinha, que por pura teimosia, parecia não querer sair do lugar.
Quem sou eu
- Cacau Caetano
- Campos dos Goytacazes, RJ, Brazil
- Sou uma pessoa não exatamente normal. Afinal, ninguém é. Não é? Bem vindos, meus caros. Não sei se este espaço será aproveitado devidamente, como colegas verdadeiramente feras e donos de uma intelectualidade fantástica o fazem. Enfim, vou trazer um pouco do dia-a-dia, do cotidiano, tanto meu, como do espaço em que vivo. Curtam! (espero)
domingo, 27 de janeiro de 2008
sábado, 26 de janeiro de 2008
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